Já infiéis as palavras se me tornam
ou transformei-me em regato que transborda
tão inseguro, sem margem nem desígnio,
minhas antigas palavras vãs comigo
as trago como a cheia que arrebata
errante vedações, diques e estacas.
Oh, se o dono à torrente desse um leito
que transportasse pelos caminhos certos
o meu regato em direcção ao mar,
me cedesse a rima eterna para coroar
os versos e, na estante, a santa Bíblia
fosse o meu breviário de poesia,
para que eu, como outrora o servo indolente,
Jonas, fugitivo e submerso no peixe,
nas trevas ardentes, surdas e vivas
da dor, não apenas durante três dias
mas meses ou anos ou mesmo durante
três séculos, possa encontrar novamente,
antes de tragar-me uma outra baleia
mais cega e perene, a minha voz primeira,
e as minhas palavras, por Ele inspiradas,
ousem alinhar perfeitas para a batalha
e eu clame incansável até que sem força
a garganta doente à noite se rompa,
até que os poderes do céu e de Ninive
consintam que eu fale e ainda não morra.
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