Não sou eu que grito, é a terra que troa.
Cuidado, cuidado, que Satã enlouqueceu;
encolhe-te nos fundos claros das fontes,
cola-te aos vidros,
oculta-te atrás do brilho dos diamantes,
sob pedras, entre os insectos,
tu, coitado, coitado.
Com frescos aguaceiros na terra penetra –
em vão te banhas em ti,
só no outro podes teu rosto lavar.
Sê o fio breve de uma erva
e serás maior que o eixo do mundo.
Oh, máquinas, aves, folhas, estrelas!
Nossa mãe estéril implora um filho.
Amigo, caríssimo, meu querido amigo,
seja terrível, ou maravilhoso,
não sou eu que grito, é a terra que troa.
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