Eu năo me sento com ninguém


Nada
utilizo
do
que
sei
apenas
tal
como
sei.

(Dois)

Eu não
me sento
com ninguém.
Também já
não pode
ser. (Um
poema triste
mas quem
o escreveu
está bem.
Agora janta.
Agora começa
outra coisa.
Para ele
tudo bem.)

(Três)

Ainda há pouco
eu estava feliz
ou lembro-me disso.
Mas não era
boa a felicidade.
Também não é
bom o amor.
Nada é bom.
Levo o tabuleiro.
Começar alguma coisa.
Como consegui agora
ambos, posso trocar
um pelo outro.
Não é bom,
não. Vai acabar.
Vai mesmo acabar.
Falo a sério.
Como sempre falamos.

(Quatro)

Era o pequeno almoço
( ) comemos e depois
toca a levantar ( )
comi daquilo tudo mastiguei
e depois de repente
levantar ( ) ( ) ( )
não tenho fome ( )
não tinha tenho alguma
( ) de manhã, não
muito cedo tivemos que
alombar ( ) comecei a
suar muito por mastigar
tudo isto ( ) ( )
só as costas suaram
( ) a camisa ficou
colada ( ) escorreu ( )
estoiro sob o peso
( ) estou a estoirar
e a camisa cola-se
( ) cola-fie e ficamos
mesmo colados ( ) ( )
estava feito e pronto
( ) então bebo ou
lavo a boca ( )
felizmente isto ainda posso
( ) estava mesmo feito
( ) então levantar ( )
ao alombar os toros
oscilam ( ) ( ) ( )
plantaram aqui e ali
junto à fachada ( )
estas árvores cerejeiras nogueiras
isto quase não existe.

(Cinco)

Moro numa torre alta. Branca.
Branca como cal. Em baixo
uma grande pedra branca. Olho
para baixo. Na mesa vestígios
de granizo. Como se muito
quente tivesse sido o Verão.
A flora rescende. Vivo hoje.
Porque sim. Porque tudo isto
é meu. Olho daqui. Herdade.
Agora é assim. Agora sinto
calor demais. Tudo é
de mais ou de menos.
Não, não posso sentir isso.


作者
Endre Kukorelly

译者
Tradução colectiva

来源

Quetzal Editores, Lisboa;Um jardim de plantas medicinais


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