Quando o Senhor no princípio
criou os céus e a terra,
o Grande Mundo,
resmungou e logo abriu
sua mochila das graças
e tirou-as lá do fundo.
Resmungou: que tudo isto
venha a terminar em bem
e foi por isso que olhou
para a história mais à frente,
foi até à revolução,
e logo ali desligou.
Tanto faz. Tudo harmonia,
crescem frutos, tudo bem,
acabou-se a epopeia.
Produz, resmunga, pratica
várias línguas, enrouquece,
entretanto pigarreia,
vai soletrando as palavras
à maneira das crianças.
Mas Eu, Deus, como já disse,
não tenciono usar as flores,
só que no dia seguinte
achou que era uma burrice
e mudou de opinião:
eu vou precisar das flores,
mein Gott, que fartote,
viu que as vacas voam mal,
voltou a pô-las no campo,
deu-lhes os cornos em dote
- atrás não, menos no meio,
o melhor inda é à frente.
E entăo obrou o homem
e atirou-lhe para cima
grande peso de mulheres,
arrumou tudo tão bem,
uns por cima outros por baixo,
pôs a crescer as ervinhas,
os cabelos, as gorduras,
as cenouras e o nabo,
e fez nascer as tais árvores
pensando: agora já chega,
que os carregue o diabo;
equacionou os problemas.
Era isto que Deus via
que é bom, e ficou à espera
de ver tudo arrumadinho
de acordo com o que fizera.
A si mesmo arruma e cria.
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