Esperar, ao bater da meia-noite,
um ataúde que a mim se afoite.
Por quem se enterra não perguntar,
dar á sineta no funeral.
Sob tendas de prata, e sob os
negros véus, balançar uma cruz.
Estar de pé em luto, em prata grave,
no fumo abafar da tocha que arde.
Dar combate às sombras em bulício,
cantar em surdina um ofício.
Escutar dos órgãos os fundos ais,
dos sinos o bramir, sepulcrais.
Por fundos sepulcros ir, abertos,
com padre torvo, criados discretos.
Tremendo, escondendo-me, olho vivo,
um estranho morto observar, furtivo.
Em noite de crendices e luar
ter frio, em onda de incenso arfar.
Contra o peito, negar o passado,
posto de joelhos, enfeitiçado.
Lasso, confessando-me, de tudo
repeso, cair sobre ataúde.
Meu testamento, horrível, traçar
e chorar, chorar, chorar, chorar.
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