Mesmo o que não é possível possuirmos também vale
Assim como tudo aquilo que não é possível determinarmos
Quantas vezes a minha carência de ti
Me apresenta a etiqueta com o seu preço
Quis adquirir um prato
Um prato qualquer com a sigla do restaurante
«Quanto custa?»
«Não é para vender» disse-me o cavalheiro ríspido
«Imagine que o parti»
«Mas não o partiu» disse-me o cavalheiro ríspido
«Mas imagine que foi assim»
«Não estou a imaginar que sejam assim»
Foi esta a batalha que eu travei com ele, o Ríspido
Sim
Se eu o partisse
SERIA DETERMINÁVEL O VALOR
Sim
Quantas vezes a carência designa o valor
Está integral – é indeterminável
Pois apenas nos seus fragmentos
Podes sentir em ti
Como a sua morte é valiosa
No desvanecer é que se exprime o valor
Morreu já não ouve então grita
Não há outro igual na existência.
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