Ali, então


Ali então em pleno mundo antigo
À sombra do cipreste e da videira
Olhando o longo tremular do mar
Num silêncio de luas e de trigo

(Como se a morte a dor o tempo a sorte
Não nos tivessem nunca acontecido)

Em nossas vidas a pausa há-de poisar
Como o luar que poisa nas videiras
E em frente ao longo tremular do mar
Num perfume de vinho e de roseiras
A sombra da videira há-de poisar
Em nossas mãos e havemos de habitar
O silêncio das luas e do trigo
No instante ameaçado e prometido

E os poemas serão o próprio ar
– Canto de ser inteiro e reunido –
Tudo será tão próximo do mar
Como o primeiro dia conhecido.


作者
索菲娅·安德雷森

来源

https://poetisarte.com/autores/sophia-de-mello-breyner-andresen/ali-entao/


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