Deita espumas novamente a primavera,
como a boca do pássaro que canta constantemente.
E as ervas cercam de pé os túmulos, também,
mas tu já não sorris
para nada daquilo em que a vida se prolongará.
Levo-te um ramo verde, amentilho penugento, malmequer dos
brejos, jubiloso,
junto do valado do moinho,
em cima deles brilha o olhar de deus
e o do primeiro besoiro sem asas úteis que saiu pelo
mundo,
mas tu a retirares-te só olhas para a parede.
Quem sabe: se sobreviver à minha confusão incurável,
quero lembrar-me deste teu último olho
deste teu olho que queima buracos pretos:
voa nele o estéril pó de giz da escola,
como se o pó de Cartago derrubado só agora chegasse a ti.
Não acredito que a morte seja mais talentosa do que eu.
Não acredito que a morte me pudesse roubar-te.
Vejo-me em ti, como se estivesse sentado numa ferida formosa:
ramo verde na minha mão e atrás de mim, oh, atrás de mim
espaços ilimitados: o mundo do além que em cima de
mim escurece.
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