Moro no terceiro andar. Se
abro a janela, entra
o céu. E todas as estrelas aparecem.
Podem aparecer todas as pequenas estrelas.
Mas há gente a quem
isso não interessa. A verdade é que ele só
queria comer cem gramas de salame.
Só queria cem gramas.
Cem gramas. Para já, queria
pelo menos cem gramas de salame. Mas todo
sem pão. Sem nada, apenas
assim, e pronto. E já não é
pouco. Mas também não é muito.
Poderia sentar-se na cozinha.
Estava muito cansado. Ali estava.
Olha para a mesa. Detém-se então
a fitar um ponto. E arderiam
os olhos de cansaço. E
teria a cabeça ao contrário. Olharia
às avessas. Poderiam mandá-lo
à fava. Ou então fugiria numa
modesta máquina. Montado num bolo.
De repente ligam as natas, a
batedeira, que bate as
natas, e ele sente-se como se
estivesse fechado, como
se as natas o cobrissem
todo. Porque cresceram de
mais. Depois viriam escavar, era apenas
um pequeno susto, de nada, sem problema.
Extraíram-no do bolo. Extraíram-no logo,
entretanto pudera empanturrar-se
de natas. O mais
que podia. E podia
muito. Tinha podido sujar-se
todo. Tudo poderia acontecer. Mas
não pode ser. Céu, cintilaçõ
es, muito, até de mais, não pode ser. Ou
foi só uma invenção. Acho
que não é assim tão fácil. Ele
também acha que não.
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