Vem, vem até mim a pequena fera
nos seus elegantes sapatos de salto alto,
vem atravessando a ponte, oiço-a mesmo aqui –
Em cima dos carvalhos da Ilha Margarida que o Outono despe
volteiam gralhas, como as rodas
de um carro funerário –
Prepara-se para nevar, neve, diz o jornal,
começa lentamente a nevar mesmo no meu quarto,
mas ela vem a desabrochar como que acompanhada de música:
solo de tambor de decadentes
tardes de Verão –
Vi uma vez raparigas negras
a aproximarem-se-me assim, em Havana,
pela rua cheia de sacos de areia e de dálias vermelhas,
comiam laranjas,
como se, em nome do mundo ameaçado,
tivessem protestado com gestos suaves –
Como bufaria o velho Cabrão-Anacreonte,
Se visse, sob o pilar da ponte flagelado pelos ventos,
que paraíso marcha por cima dele,
que bater de sapatos protestando contra a morte,
sussurro meigo de caniços pretos e de
coxas-a-esfregarem-se.
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