A pomba daliança o vôo espraia
Na superfície azul do mar imenso,
Rente… rente da espuma já desmaia
Medindo a curva do horizonte extenso…
Mas um disco se avista ao longe… A praia
Rasga nitente o nevoeiro denso!…
Ó pouso! ó monte! ó ramo de oliveira!
Ninho amigo da pomba forasteira! …
Assim, meu pobre livro as asas larga
Neste oceano sem fim, sombrio, eterno…
O mar atira-lhe a saliva amarga,
O céu lhe atira o temporal de inverno. . .
O triste verga à tão pesada carga!
Quem abre ao triste um coração paterno?…
É tão bom ter por árvore — uns carinhos!
É tão bom de uns afetos — f azer ninhos!
Pobre órfão! Vagando nos espaços
Embalde às solidões mandas um grito!
Que importa? De uma cruz ao longe os braços
Vejo abrirem-se ao mísero precito…
Os túmulos dos teus dão-te regaços!
Ama-te a sombra do salgueiro aflito…
Vai, pois, meu livro! e como louro agreste
Traz-me no bico um ramo de… cipreste!
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