Lira dos Vinte Anos
Segunda Parte
Oh! não maldigam o mancebo exausto
Que nas orgias gastou o peito insano…
Que foi ao lupanar pedir um leito,
Onde a sede febril lhe adormecesse!
Não podia dormir! nas longas noites
Pediu ao vício os beijos de veneno…
E amou a saturnal, o vinho, o jogo
E a convulsão nos seios da perdida!
Misérrimo! não creu… Não o maldigam,
Se uma sina fatal o arrebatava…
Se na torrente das paixões dormindo
Foi naufragar nas solidões do crime.
Oh! não maldigam o mancebo exausto
Que no vício embalou, a rir, os sonhos,
Que lhes manchou as perfumadas tranças
Nos travesseiros da mulher sem brio!
Se ele poeta nodoou seus lábios…
É que fervia um coração de fogo
E da matéria a convulsão impura
A voz do coração emudecia!
E quando p’la manhã da longa insônia
Do leito profanado ele se erguia,
Sentindo a brisa lhe beijar no rosto
E a febre arrefecer nos roxos lábios…
E o corpo adormecia e repousava
Na serenada relva da campina…
E as aves da manhã em torno dele
Os sonhos do poeta acalentavam…
Vinha um anjo de amor uni-lo ao peito,
Vinha uma nuvem derramar-lhe a sombra…
E a alma que chorava a infâmia dele
Secava o pranto e suspirava ainda!
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